OGUM IÊ! PATACORI OGUM!

KAÔ CABECILÊ, MEU PAI XANGÔ!

O sumiço do submisso

Lirismo, egoísmo, só isso

Errado no compromisso

Nadismo, consumismo,

Ansia de tudo isso

Na falta, compro o misso

Movimentadíssimo

Nada és mas lo mismo

Vale mais o não-compromisso?

Não arranco o siso

Busco sempre o sorriso

Nem sempre indeciso.

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A escuridão

Tudo está está escuro. Tudo está negro. Mas não tão negro como estava a alguns segundos atrás. Não, não está cinza, é negro mesmo. Só que não como era. Estranho isso. Como agora eu percebo a escuridão onde antes não havia? Ou será que eu já estava na escuridão, só não tinha percebido isso? Isso é bem possível, afinal, muitas coisas nessa vida a gente nem percebe que está acontecendo, simplesmente coexiste e segue seu rumo sem se dar conta das coisas ao redor. E no caso o redor é simplesmente escuridão.

Ah sim, o barulho! Foi esse barulho que me fez perceber a escuridão. Um barulho estranho, que sempre vem e vai, como ondas. Um barulho gutural que começa baixo e tímido, como uma topeira em seus buracos pelo jardim do vizinho, que vai cavando e procurando suas minhocas, fazendo um mínimo ruído possível, e, num macrosegundo, explode numa fúria violenta de sua boca aberta um grito rouco e abafado, finalizado por um chiado, como se a topeira esvaziasse como um balão cheio de satisfação, que mucha após ter seu trabalho realizado com louvor.

Esse barulho me irrita, esse vem e vai. Sempre igual, sempre igual. Silêncio, ruído, estrondo e chiado, sem fim. E de novo e de novo e de novo. Mas não é simplesmente o barulho que irrita, e sim a forma que vem. Não é em um tempo igual, nem com durações iguais. Por vezes demora uma vida inteira pra acontecer de novo, o que me dá uma certa paz com a escuridão, e por vezes é um atras do outro, aflito, correndo para se pegarem (ou fugirem?) um ao outro. Por que isso me fez lembrar de uma zebra, eu não sei. Deve ser por que eu não sei se ela é branca com listras pretas, ou ao contrario. Ou o coração, se ele bate pra expulsar o sangue ou bate pra puxar de volta. Só sei que são nessas vidas intermediárias entre um barulho e outro que paro pra pensar nisso.

Mas afinal, o que é isso? Onde estou? Que lugar é esse, onde tudo é escuridão perceptível e o tempo incoerente é marcado por esses barulhos que vem e vão? Só agora percebo essa pressão no meu lado direito, uma pressão que começa na cabeça e termina no meu pé. Ou seria ao contrario? Ou seria por igual, pois na verdade eu estou deitado? Não sei dizer, pois o barulho vem novamente pela frente (sem bem que poderia ser por trás, ou pelos lados talvez? Mas de certa forma essa pressão me conforta. Ela é a única coisa que me faz sentir vivo aqui, pois sei que ainda tenho um corpo. Um corpo sem forma, sem cor, sem tamanho, mas um corpo que simplesmente é.

Estranho, o barulho está perdendo a força. Cada vez mais está mais e mais fraco, sem vida, sem forças. A vidas demoram mais pra passar, o que me acalma. Acalma a ponto de sentir a pressão do meu corpo (ou espírito) reconfortante, maternal, acolhedora. Não há mais barulhos, e a escuridão já é outra.

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Em todos os fogos, é fogo.
Em todos os homens, é homem.
E em todas as plantas, é planta.

De todas as mulheres, é mulher.
De todos os animais, é animal.
E de todas as coisas, é Deus.

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O Exagero

O exagero por vezes é bom,
é um aumento na intensidade dos atos,
sentimentos existentes mais aflorados,
amor, alegria, impulso, um dom.

E o exagero por vezes faz o mal
que alcança dimensões intocadas,
adormecidas pelo marasmo e o medo,
mesmo que não seja nada intencional.

Te amo ao extremo, o que me irrita em demasiado.
Choro por horas no início de uma dança sem fim,
que acaba em risadas e abraços, vida dentro de mim.
Vivendo e correndo, o extremo experimentado.

Se algo é exagerado ele é existente,
pois o nada não se exagera,
não se vive não se espera,
por mais que se ache, por mais que se tente.

Não se preocupe com o exagero.
Se preocupe em sentir a vida, em viver o sentimento.
E deixo aqui meus enormes desejos, de tudo de bom a você,
Tudo exagerado, sem exageros.

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A melhor pedida no Starbucks.

Eparrei Iansã, Eparrei Oyá!

Quem nunca? (co-criação @calimano)